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Sem Categoria Paulo em 01 Jun 2009

O tapete vai ficar pequeno

No dia do anúncio daquilo que todos já esperavam, o pedido formal de concordata da maior fabricante mundial de veículos nas últimas décadas, a General Motors, até pouco tempo também chamada pelos americanos, pelo seu modelo de benefícios aplicado aos trabalhadores na ativa e também estendido aos já aposentados de “Generous Motors” , a partir de agora passa a ser reconhecida por “Government Motors”.

Ou seja, o governo americano passa a ser o majoritário da empresa em troca de empréstimos visando saneá-la e posteriormente devolvê-la a iniciativa privada.

Vamos reter brevemente a questão da GM e passamos a considerar que dias atrás a Time Warner comunicou ao mercado que até o final do ano a
AOL (American On Line), hoje uma de suas divisões mais fracas, vai transformá-la em uma empresa independente, para que busque sozinha a sua própria sorte.

Como todos devem se lembrar a união entre Time Warner e AOL foi anunciada ao planeta como o modelo exemplar da “nova economia”. Na época as empresas “pontocom” eram a febre e seus valores intangíveis levavam o mercado a beira da insanidade.

Não existiam ativos, não existiam receitas, quase nada, somente os valores intangíveis, e com eles as expectativas de ganhos muito alem do ritmo convencional.

Tudo que fosse diferente de “pontocom” era rotulado como velho, ultrapassado, antiquado, enfim, sem a capacidade de gerar valor, na velocidade necessária para satisfazer os investidores da ávida “nova economia”.

Alguns anos se passaram e o mundo encontrou novo ciclo de forte crescimento na economia. Desta vez muito mais democrático incluiu na cena novos “jogadores”, os emergentes e também aquelas empresas da “velha economia” agora resignadas assumindo o papel principal.

Mas o processo embutia uma motivação similar – acelerar o ritmo na geração de valor.

Mais uma vez, como no processo anterior, todas as referências que tínhamos de valor foram pulverizados. Commodities explodiram e em pouco tempo parecia até que levaríamos o planeta ao seu esgotamento.

Desta vez como a “banca” é global o estouro foi muito mais forte e as conseqüências ainda estamos contabilizando.

Enfim, dois anúncios, duas histórias diferentes, de conclusões muito próximas. As referências de valor primeiramente foram corrompidas, maximizadas e vendidas ao mercado.

Em ambos os casos muitos pagaram a conta, outros continuam e vão continuar pagando.

Praticamente não houve tempo de empurrar para debaixo do tapete os escombros do penúltimo estouro, aquele das “pontocom” e já temos muito
mais para empurrar.

Pelas últimas notícias, o tapete vai ficar pequeno…

Sem Categoria Paulo em 18 Mai 2009

Você quer um “conselho verde”?

Nesta semana a rede de Hotéis Marriott anunciou que tanto seu edifício corporativo, como também os mais 30 hotéis em desenvolvimento receberão o certificado LEED (Leadership In Energy and Enviroment Design).

Segundo Arnen Sorenson, Presidente e Diretor do Conselho Verde da Rede Marriott, o certificado LEED é como um selo verde que os clientes da rede reconhecem e aprovam.

Claro que a notícia já empolga pelo número de empreendimentos que passam a integrar o “clube dos edifícios sustentáveis”. Porém, o que mais chama a atenção é o fato da rede de hotéis manter entre seus Conselhos um “Conselho Verde”.

Num passado recente os temas relacionados ao meio ambiente e sustentabilidade soavam como exóticos e muitas vezes pareciam motivados por ideologias que nunca viriam a se materializar de fato.

Repentinamente nos deparamos com um “Conselho Verde”.

Certamente, agora sem surpresas e sem enganos, a decisão foi criteriosamente tomada por terem sido observados os valores intrínsecos para o negócio, bem como os benefícios financeiros diretos de operar uma edificação sustentável.

Em suma, o objetivo é entregar ao cliente o que ele quer. Em linha com seu novo padrão de comportamento e fechando com um custo operacional menor. Leva ainda os agradecimentos do planeta!

Mas qual “planeta” agradeceria?

Muito provavelmente aquele formado por “N” milhões de habitantes, pertencentes a uma fração que ainda está muito distante de ser incluída socialmente, e dificilmente será! Não nos moldes atuais de consumo de recursos naturais.

Já dito e redito, não existe como incluir socialmente toda a fração que aguarda avidamente por isso, dentro do modelo atual. Simplesmente não existiriam recursos naturais para todos!

Assim, só restam as congratulações ao “Conselho Verde”.

Que ele se multiplique, como quase tudo que é verde!

Sem Categoria Paulo em 27 Abr 2009

Tomando Banho de Gasolina…

Neste final de semana, como muitos devem ter acompanhado, tivemos a etapa do Grande Prêmio de Formula 1, do Bahrein.

Uma curiosidade que me chamou a atenção. Por lá, no pequeno estado encravado entre Irã, Qatar e Arábia Saudita, o litro da gasolina pode ser adquirido por equivalentes R$ 1,20, já um litro de água custa R$ 6,00.

Um dos jornalistas que cobriu a etapa chegou a revelar durante a transmissão que só bebia água fornecida pela organização, dada a magnitude dos preços do precioso líquido naquele país!

E por aqui, a quantas andamos?

Tomando por base as discussões em São Paulo, onde alguns estudos acadêmicos indicam que o abastecimento para a população da região metropolitana estaria integralmente garantido somente até 2010, uma das sugestões para frear o consumo desorganizado e, porque não dizer, na maioria das vezes irracional, seria justamente o aumento da tarifa da água.

A defesa de tal mecanismo parte de Dilma Seli Pena, Secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo.

Em recente seminário, alusivo ao Dia Mundial da Água (22 de Março),onde o assunto foi debatido, ela defendeu seu argumento por entender que os preços atuais, muito baixos, não incentivam o uso racional, muito menos evitam desperdícios.

De fato, a Sra. Dilma Seli está correta em uma série de aspectos sobre o problema. O uso da água em São Paulo já se tornou famoso no país por seus elevados índices de consumo e desperdício.

Só para relembrar, o consumo paulistano, onde 10,8 milhões de habitantes são atendidos pelo sistema de abastecimento, é de 221 litros/habitante/dia. O dobro do sugerido pela ONU, 110 litros, como o ideal para suprir as necessidades humanas.

Observando por este aspecto, o plano de aumentar as tarifas poderia até contribuir, mas o problema torna-se complexo se observarmos a distribuição do consumo na região.

Se fecharmos a análise na cidade de São Paulo, o perfil identificado pelos dados revelam, por exemplo, que no bairro de Higienópolis, habitado preponderantemente pela classe media alta, o consumo gira em torno de 500 litros/dia/habitante. Já, na Zona Leste o consumo cai para aproximados 100 litros.

Deste modo, tenho dúvidas até onde a majoração das tarifas podem auxiliar, já que o perfil de consumo excessivo está associado diretamente ao alto poder aquisitivo.

Entendo que o aumento das tarifas, no caso de São Paulo, é ação praticamente irreversível pelo simples equilíbrio da oferta e procura. A atual densidade demográfica da região coloca a disponibilidade de tal recurso no seu limite. Assim é natural que ocorra.

Entretanto, a solução definitiva para este problema deve exigir muito mais.

Existe no Brasil uma percepção sobre a abundancia de nossos recursos naturais que passa a impressão de serem inesgotáveis. Precisamos reeducar nossa sociedade.

Admito a necessidade de ajustar tarifas. Já é assim em diversos países do mundo, porém, deveria estar associada a um amplo processo de informação da população, utilização da rede pública de ensino, chegando até políticas de incentivos para o estímulo à reutilização da água e captação pluvial.

Aliás, tais políticas não deveriam abranger somente a água, mas se propor a modificar todo o entendimento da sociedade sobre a racionalidade do uso de nossos recursos naturais.

Melhor seria assim, ou vamos acabar todos tomando banho com gasolina!

Sem Categoria Paulo em 13 Abr 2009

Cada um com seu “PAC”

Se você tivesse que optar por uma das duas afirmações abaixo sobre as nossas reservas de petróleo descobertas no pré-sal, qual seria a sua escolha?

a) É a mais extraordinária reserva mundial de energia.

b) É a mais extraordinária reserva de emissões de gases poluentes.

Se a mesma escolha tivesse que ser feita pela senhora Joan Ruddock, certamente a opção seria “b”. Segundo ela, vice-ministra para Mudanças Climáticas da Inglaterra (sim, esta é a pasta), agora todos os investimentos daquele país estarão integralmente conectados ao novo plano de desenvolvimento da “economia limpa”.

O discurso não poderia ser diferente, já que o Parlamento do Reino Unido aprovou em novembro último um conjunto de leis que fecha toda a estratégia que visa eliminar 80% das emissões dos gases que causam o efeito estufa, até 2050.

Metas arrojadas, com investimentos à altura. Estão previstos investimentos de 100 bilhões de libras, destinados a substituir 15% de toda matriz energética por solar, eólica, ondas do mar e nuclear, até 2020. Entre os britânicos há ainda a expectativa de criação de 160 mil empregos ligados à área, em 12 anos.

E não para por aí. O plano prevê ainda uma profunda alteração no comportamento social, muito além dos investimentos que devem ser feitos em ciência, tecnologia, inovações, etc. O estilo de vida da população britânica vai mudar.

A sociedade será estimulada a instalar energia solar em suas casas, a construir “tetos verdes”, utilizar materiais de construção que absorvam menos calor, incluindo-se até o asfaltamento urbano, entre um cem número de medidas.

A água não passa sem destaque. Hoje, como um terço da água tratada em Londres é desperdiçada diariamente, o controle residencial deve aumentar.

Ou seja, trata-se de um plano ambicioso, não só em metas ou investimentos, mas principalmente pela certeza da capacidade em reeducar a sociedade no sentido de utilizar, com maior racionalidade, os recursos naturais de uma forma em geral.

Enfim, plano debaixo do braço, aguardando pelo resultado da consulta pública que deve sair este ano. Porém, que ninguém duvide sobre sua
aprovação pois a Inglaterra já sai a campo em busca de aliados.

Pretende assumir a liderança do processo na Europa e busca parceiros importantes entre os emergentes, Brasil incluso.

A ironia dessa história toda é que a Inglaterra, precursora da “Revolução Industrial” no século XVIII, que contribuiu de modo decisivo para o estabelecimento dos atuais padrões energéticos, volta agora, três séculos passados, tentando liderar um novo processo, como se fosse o anterior, porém rejuvenescido, atual e dirigido as demandas sociais, econômicas e ambientais. Tudo em dimensão global.

Aliás, para quem no início do texto optou por “b”, resta o consolo. Eles já fazem “PAC” há mais de trezentos anos…

Sem Categoria Paulo em 17 Mar 2009

Simplesmente branco.

Duas semanas passadas e, não passou em “branco” a iniciativa inédita representada pela reserva de área correspondente a 2 mil metros quadrados para que os expositores exibissem sua visão sobre “veículos verdes” no Salão de Genebra.

Algo que também não passou em “branco” foi justamente o retorno da cor branca. Que voltou a ser adotada por muitas empresas do segmento.

Cor, que ao longo do tempo foi suprimida dos catálogos, reservada quase que exclusivamente aos veículos de serviços, como os táxis e etc, e voltou de forma renovada, desfrutando de “status” suficiente para grifar desde os super esportivos aos luxuosos exemplares da indústria automobilística.

A razão? O encarregado de Comunicação de uma das gigantes européias revela. Apple! A influência dos produtos da marca, infinitamente brancos, fez a cor “entrar na moda.”

Até entendo agora porque, há aproximadamente um ano, procurando por um pequeno produto da marca em uma loja encontrei disponibilidades em todas as cores, exceto o branco. Claro, não levei!

Se tomarmos um instante, não podemos deixar de reconhecer que estamos diante de um fenômeno que nos chama a refletir sobre tudo que fazemos ou estudamos em torno de construção de marcas.

Construir uma marca e dotá-la de valores para influenciar consumidores em torno de seus produtos é uma coisa. Mas, chegar ao ponto de a cor dos seus produtos influenciar outros negócios e fazer com que marcas a adotem por extensão, convenhamos, não é coisa que vemos a toda hora.

O Brasil nunca foi um grande construtor de marcas. Parece algo fora de nossa cultura executiva cotidiana. Mesmo os produtos brasileiros com maior presença internacional raramente são reconhecidos. Aliás, a própria marca “Brasil” tem lá as suas dificuldades, associada desde o sempre à famosa dupla Samba e Futebol.

Enfim, a mostra de Genebra se foi e além do incrível sucesso dos “veículos verdes” nos deixou também uma lição de casa.

Que tal darmos uma mordida na maça?

Sem Categoria Paulo em 04 Mar 2009

Você quer ser um milionário?

Na linha do filme “Milionário”, maior vencedor do Oscar deste ano, tenho uma pergunta.

Fora das conseqüências da atual crise, que denomino de “primárias”, como a quebra de instituições financeiras, prejuízos em escala, setores afetados em cascata, enfim, daquilo que era razoavelmente previsível e observando os “segundos” desdobramentos possíveis, somos induzidos a imaginar que o que era mencionado como uma frase dedicada ao sistema financeiro internacional agora pode ter um significado muito mais abrangente.

“Após a crise nada mais será como antes”

Vejamos, deslocando do centro da questão (o financeiro), observamos as discussões ganhando grande intensidade política em diversos países do mundo.

Não há como ignorar que em todos os países existem oposições, por vezes ao governo em outros casos ao regime. Estes últimos é que causam preocupação singular.

Nações por vezes muito antigas, porém jovens ao experimentar os efeitos da globalização, passaram repentinamente a receber grandes volumes de capital na forma de investimento, que, também repentinamente, foram interrompidos.

Conseqüências? Sistemas sociais frágeis, sem fluxo de capital, reduções de atividade econômica (PIB’s) na casa de dois dígitos.

Tudo isso leva oposições locais a aguçar memórias e a perguntar: Vocês acham mesmo que a democracia capitalista era a “terra prometida”? Já se ouve respostas contrarias na ponta da língua e o assunto começa a ganhar intensidade em várias regiões do planeta, como por exemplo, no leste europeu.

Vamos ver outra? Indo agora até o epicentro de toda história, os Estados Unidos. Mercado de consumo americano, adaptando-se à nova, ou novas realidades, começa a redesenhar seu novo perfil, ditado pelo novo mandamento: “Aprender a ser feliz com o que se tem… Sem a dependência da satisfação do consumo”

Quase que uma heresia ao “hiper consumo”. Tão típico no “American Life Style” como a feijoada no Brasil.

Entendo que frases feitas, normalmente não são um grande negócio, porém neste caso como a frase está sendo refeita a cada instante e escrita em diversos idiomas, vale conferir.

Fica então a pergunta cuja resposta deve ser perseguida: Quais serão os novos padrões de comportamento social após a crise?

Quem tiver a resposta ganha 1 milhão! Ou mais!

Sem Categoria Paulo em 27 Fev 2009

Será que o Sambódromo vai mudar para Wall Street?

Em pleno Carnaval, quase sem repercutir, uma notícia nos relata a tomada de medidas tarifárias de importação por parte da União Européia contra distorções no mercado de biodiesel, causadas por práticas de dumping pelos Estados Unidos.

Segundo a informação, o bloco europeu (27 países) deve adotar tarifas alfandegárias que visam defender os produtores locais e restabelecer as políticas de preços do combustível no continente.

Isto porque produtores americanos estariam comprando biodiesel na América do Sul, adicionando apenas 5% de biodiesel produzido nos EUA, quantidade ínfima, mas o suficiente para tomarem os subsídios locais, e exportar por preços abaixo do seu custo para países da União Européia.

Os volumes tomaram tamanha dimensão a ponto de inviabilizar a produção do combustível na Europa e levar à falência diversas usinas na Espanha, Alemanha e, acreditem, até no Leste Europeu.

O que não deixa de surpreender nesta história toda é a ordem das coisas. Se tivéssemos tomado conhecimento da “marotagem” no sentido inverso, ou seja, países latino americanos burlando regras, muito provavelmente seria uma notícia a mais que estaríamos lendo. Sem dúvida com repúdio, mas sem grandes surpresas.

Porém, práticas americanas afetando a ordem européia, ainda por cima com base em matéria prima adquirida na América do Sul, não pode deixar de ser a grande surpresa do fato.

Sabemos que energia é assunto de ponta na estrutura geopolítica do mundo. Alavanca e proporciona desenvolvimento como também sustenta e perpetua ditadores de diversas ordens.

Mas, daí a imaginar que um país, onde a evasão fiscal é crime repugnado desde seus primórdios e punido exemplarmente, estar disposto a usar recursos do contribuinte (sem que ele saiba, é claro) para financiar uma operação que traz mínimos benefícios para poucos (estamos falando do mercado de energia) e prejuízos e desordem de preços de um combustível em um continente todo seria impensável. Porém, não é mais.

E para “colocar a cereja no bolo”, neste caso, o Brasil está a favor da União Européia.

Enfim, não acredito que o Sambódromo vá mudar para Wall Street. Continuará sendo exclusivamente brasileiro!

Já algumas práticas que pareciam ser exclusivamente nossas…

Sem Categoria Paulo em 20 Fev 2009

A crise na urna.

Passados alguns meses da quebra do banco Lehman Brothers, que marcou simbolicamente o início da grave crise financeira mundial, alguns segmentos do mercado doméstico, poucos ainda é verdade, surpreendentemente começam apresentar alguma atividade positiva. Em alguns casos, números melhores do que os registrados no desastroso dezembro, em outros, um nível determinado de atividade que aparenta maior movimentação no mercado.

Enfim, apesar de tudo ainda inconclusivo, os resultados de fevereiro poderão nos nortear sobre a real situação momentânea. Não será surpresa se alguns segmentos já identificarem um novo nível de estabilidade, primeiro passo para o processo de integralização dos ajustes necessários, e começar a pensar na recuperação.

Pelo lado positivo, se de fato isso vier a ocorrer, podemos supor que o Brasil poderá ser um dos primeiros países do mundo a mostrar sinais claros do início de um processo de recuperação.

Este fato, por si só, já seria o suficiente para comemoração. Entretanto pode representar muito mais. Receberíamos outorga mundial sobre a nossa real capacidade em lidar com tais situações e a solidez das instituições.

Em decorrência, logo no momento seguinte a todo esse processo, o Brasil, sem dúvida alguma, ganharia lugar de destaque nas listas de prioridades dos canais de investimentos. Seria o turbo em um motor renovado.

Porém, não podemos nem por um instante nos afastar da realidade. Afinal, tudo não passa ainda de possibilidades e suposições otimistas que precisam ser ratificadas. Precisamos efetivamente demonstrar as tais capacidades.

E, é exatamente aí que mora o perigo. Entre as n medidas de ajustes, necessárias para driblar a crise atual, muitas devem ser amargas e aplicadas em doses relevantes, impopulares, portanto e em especial àqueles que tocam nos gastos públicos.

A complicação neste momento é que adotar tais medidas colide em cheio com a antecipação da agenda eleitoral. Com mais de um ano de antecedência as notas que dominam os meios de comunicação são relacionadas ao processo sucessório da presidência da República.

A situação, que é responsável por aplicar o tal do remédio, já está com nome divulgado para a disputa e se coloca neste momento, acho até que desnecessariamente, diante de uma bifurcação de difícil escolha sobre qual caminho tomar.

As decisões as serem tomadas nestes casos, pelo lado executivo e pelo lado político, são motivadas por propósitos diametralmente diferentes. E a oposição, à cavalheira, aguarda ansiosa.

A independência executiva, pode ficar (se já não está) muito comprometida. E o que deveria ser hoje o núcleo da questão, a nossa estratégia de recuperação, passa a incorporar considerações políticas em suas decisões.

Vamos aguardar fevereiro e seus posteriores e ver, se vem remédio puro ou com batom.

Sem Categoria Paulo em 13 Fev 2009

Energias renováveis

Importante nota sobre como os EUA está considerando o programa de energias renováveis na recuperação de sua economia.

Para ler na integra clique aqui

Sem Categoria Paulo em 11 Fev 2009

Dúvidas e incertezas

Seguindo como se fosse por uma cartilha, temos acompanhado o que já era absolutamente esperado. Após sucessivas notícias sobre quebras no sistema financeiro, agora são os balanços trimestrais de grandes empresas globais, divulgados diariamente, que mostram os efeitos das crise no segmento industrial.

No rastro dos resultados são divulgados também os planos. Aqueles esperados pelos acionistas e investidores, as ações que visam reestruturar as operações na busca de equilíbrio ante o novo cenário. Fechamento de fábricas, cortes de pessoal, adiamento de projetos, redução nos investimentos. Enfim, tudo dentro do previsto.

“Rezando” pela cartilha da redução no nível de atividade econômica, que busca por um novo patamar de estabilização, não se pode eliminar a possibilidade de um segundo momento de dificuldades no segmento que iniciou todo o processo, o financeiro, completando assim o primeiro estágio, o tal movimento cíclico.

Tentando interromper este processo, caracterizado como uma espiral descendente, e evitar sua auto alimentação, planos e medidas têm sido adotados. Porém, surge um novo risco.

Entre as medidas aparece um “pequeno pecado”, digamos assim, que pode eliminar um dos principais pilares da aceleração do desenvolvimento mundial que experimentamos nos últimos tempos. O protecionismo.

A convergência de diversos fatores que passam por demandas da sociedade, interesses de segmentos, classes, etc, podem conduzir para a adoção de medidas que contribuam para o perigoso retrocesso das atividades comerciais pelo mundo afora.

No Brasil, já vivemos sob os efeitos do protecionismo por muitos anos e conhecemos os resultados em detalhes. Ao longo do tempo, por seu caráter que inicialmente é temporário e acaba se tornando permanente, acaba servindo à proteção da ineficiência e eliminando oportunidades.

Sim, oportunidades, já que o comércio (fluxo de capital) é como o vento. Só entra por onde pode também sair e se não houver caminho livre, não existe fluxo algum.

Porém, resta ainda uma boa chance. Alguns líderes já tomam a bandeira do “não” com o entendimento de que esta não seria a saída. Mas no final das contas não sabemos até onde as filas nos guichês (cada vez maiores) do seguro social de seus países pode falar mais alto.

Um ponto é certo, se no início de todo esse processo era unânime a necessidade de discutir uma nova ordem para o sistema financeiro internacional, agora temos no mínimo mais um assunto em pauta. A manutenção dos canais de comércio internacional.

Fica a grande dúvida. A espiral, aquela que falamos mais acima, é cônica e estaríamos próximos de seu final ou será cilíndrica, sem a menor previsão de onde ela vai nos levar?

Entre dúvidas e incertezas, restam todas.

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