Temos recebido diversas notícias sobre o fechamento de centenas de milhares de postos de trabalho na China. Em alguns casos, fábricas inteiras. Vejam, não estamos falando de interrupções como férias coletivas ou algo similar. Estamos verificando o encerramento direto das atividades.

Estes fatos poderiam ser interpretados como mais uma conseqüência entre tantas outras decorrentes da crise financeira observada ao redor do mundo. Mas no caso particular da China podem estar revelando na prática o que podíamos até imaginar, porém não sabíamos exatamente a dimensão da realidade. Estou referindo-me quanto à ”artificialidade” destas operações.

As empresas que neste momento fecham suas portas foram impactadas basicamente por não terem recebido os tradicionais e volumosos pedidos de final de ano dos mercados, americano e europeu. Entretanto não devemos esquecer que estas mesmas empresas viveram um ciclo de crescimento inigualável a qualquer outro na história da humanidade.

Por esta simples razão, não deixa de ser surpreendente que ao primeiro momento de crise, apesar de acentuada, tais empresas simplesmente fechem as portas. Ou não seria tão surpreendente assim?

Como operavam estas empresas? Eram basicamente empresas de montagem que atendiam a grandes “tradings”, responsáveis pelas vendas para tais mercados. A elas cabia simplesmente produzir em grande escala, pelo menor custo possível e desovar a produção por tais canais.

Não se tratavam de empresas convencionais, como estamos acostumados e conhecemos. Com planejamento, pesquisa, projetos, engenharia, desenvolvimento, marketing, etc. Nada disso. Simplesmente facilidades, em muitos casos das mais precárias, para montagem de produtos simples, inspirados em outros, para não falarmos em cópias.

Além da frágil estrutura acrescentavam-se os famosos subsídios, caracterizados em “tax rebate”. O que por muitas vezes, talvez invariavelmente, tomavam o lugar da ineficiência.

Porém, neste momento onde e retração da demanda também é inigualável a qualquer outro momento historio não existe “tax rebate” que resolva.

Assim, aquilo que parecia milagroso mostra a sua face mais descoberta. Sem planos, sem estratégia, sem os mercados convencionalmente explorados à disposição, sem uma demanda interna à altura, não existe como continuar.

Vivemos um período de crescimento que parecia ser artificial. Com a quebra absoluta do sistema financeiro mundial e a seca da fonte, concluímos que a percepção estava certa. Assim como artificial era também aquilo que parecia um milagre. Mas como sabemos, milagres não existem! O resultado está ai.