Parece que foi definitivamente dada a largada para uma nova corrida de automóveis. Mas, ao contrário de outras corridas a que estamos acostumados a assistir aos domingos pela manhã, desta vez o vencedor não será o mais veloz, mas sim, aquele que conseguir lançar antes dos seus concorrentes, o primeiro carro elétrico em escala industrial.

O Salão de Detroit, iniciado no último sábado, marca bem esta disputa instigante. A maioria das grandes marcas de automóveis começa a apresentar “armas” e aparentemente entre os anos de 2011 e 2012 alguns desses modelos elétricos já devem estar entre nós.

Um banho de água fria foi a crise financeira que fez o preço do barril de petróleo relaxar. O dinheiro do consumidor ficou repentinamente muito mais curto e junto com ele a ansiedade por ter um desses “veículos verdes”. Neste momento preço por preço, vai no mais barato mesmo…

Mas existe outra situação independente da maior ou menor ansiedade do consumidor. A questão é que algumas empresas do segmento estão apostando nesta nova oportunidade para se renovar, rejuvenescer, e assim reconstruir suas competências essenciais.

Entregar à sociedade algo novinho em folha, baseado em novos conceitos técnicos e atender novos padrões.

Enfim, algo diferente para entrar na moda, já que o velho e bom carro, aqui no Brasil quase considerado como membro da família, vinha sendo questionado com alguma contundência. Deste modo, nada melhor que poder usá-lo com a consciência tranqüila e simplesmente desfrutar de suas vantagens.

Deixando de ser coloquial, o processo pode estar tomando contornos definitivos e quem sabe, irreversíveis. Vejamos, até pouco tempo os veículos elétricos eram apresentados como conceitos, de desenho futurista e uma série de outras quebras de paradigmas tecnológicos. Não é o que acontece agora no Salão de Detroit. Os modelos apresentados assim como os projetos divulgados dão conta de modelos muito mais próximos do que já utilizamos hoje. Entre eles os minis, sedans médios e até picapes.

Sabemos também que neste segmento os números divulgados são sempre superlativos. Assim temos uma única empresa de automóveis anunciando investimentos na ordem de US$ 1 bilhão somente para o desenvolvimento de suas próprias baterias. Outras divulgam cifras equivalentes para a implementação da infra-estrutura urbana de abastecimento em um estado americano.

A corrida é Global. Os modelos europeus, apresentados nesta mostra de Detroit, parecem estar roubando a cena, mas existem muitos outros, americanos, japoneses, chineses, e por aí vai.

Não sabemos ainda quem vai ganhar (?) esta corrida, mas caso venha existir um vencedor, será um protagonista histórico à altura de Henry Ford. Se um revolucionou os métodos de fabricação, dando acesso ao consumo em escala do automóvel, este próximo, não só estará dando uma nova oportunidade ao automóvel como abrindo frente para uma revisão profunda nos modelos da atual matriz energética.

Quem sabe? Esperamos ansiosos na linha de chegada.

Aliás, respondendo ao título, nem 110 muito menos 220v: Bivolt!