Como pudemos acompanhar, a semana passada foi pautada quase que exclusivamente pela posse daquele em cujos ombros depositam-se as esperanças da sociedade americana, ansiosa (talvez como nunca) por profundas mudanças.

As cenas da cerimônia nos mostraram algo à altura dos desafios. Pareciam cenários de filmes épicos com todos os simbolismos de grandiosidade.

De fato, Barack Obama, antes mesmo de assinar seu primeiro despacho, já poderia ser considerado como um fenômeno global. E, é a partir desse ponto que podem se desdobrar futuras e inconvenientes dificuldades.

Durante a campanha, com um plano de governo sabiamente apresentado, de forma didática, como um plano de negócios, e uma palavra de ordem que sugeria “Sim nós podemos!”, Obama acabou varrendo o mundo, que passou a nutrir esperanças e expectativas. De governos a cidadãos, de leste a oeste, de norte a sul.

Muito difícil falar com alguém, não importa de onde fosse, que estivesse alheio ao processo eleitoral americano e sem uma opinião formada sobre o candidato. Fora dos Estados Unidos, a maioria toda a seu favor.

Nada mal acreditar que o maior país do mundo pode de fato mudar de atitude em alguns aspectos e estreitar a distância dos interesses. Porém, a coisa pode não ser bem assim. Não podemos deixar de considerar que o novo presidente foi eleito por americanos para governar para americanos.

Sabemos que realmente existem muitos pontos comuns, que constrangem o povo americano e que vários são os seus anseios, a exemplo do que ocorre no resto do mundo também, mas as vezes por razões totalmente diferentes.

Vejamos, não podemos desprezar o fato de que Georg Bush, que encerrou seu mandato de forma melancólica (para ser brando), em determinado momento, em meio a conflitos no Oriente Médio e Tratados de Kyoto não assinados, foi reeleito.

Para uma fração do mundo as questões dos conflitos no Oriente Médio criam constrangimentos por questões por vezes humanitárias, outras pela onipotência e onipresença. Já, para a sociedade americana as razões são mais diretas. Trata-se de uma ação que custou caro e não trouxe os resultados esperados, como a influência política na região, por exemplo.

As questões ambientais e energéticas, a exemplo da maioria dos temas que mudaram o comportamento da sociedade no mundo, são tratadas por europeus como algo que afeta a humanidade e assim precisa de um plano.
Já a visão americana sobre os mesmos temas pode se resumir a uma outra interpretação, ou seja, “o cinto aperta” quando o petróleo sobe, tornando-se um caso de segurança de Estado. Então, neste momento, viva os “bio fuels”.

As colocações acima não têm fundo de julgamento, são apenas para caracterizar e ilustrar como as mesmas expectativas sobre um determinado tema, podem ser geradas por propósitos totalmente diferentes. Dessa forma, ao longo do tempo, com o desenrolar das questões, alguma parte muito provavelmente deve sair frustrada com os resultados.

Sinceramente, eu acredito nas palavras de Barack Obama: “Sim, nós podemos!”.

O que eu não sei se acredito é “se todos podemos ao mesmo tempo…”.