Arquivo de Fevereiro de 2009
Sem Categoria Paulo em 27 Fev 2009
Será que o Sambódromo vai mudar para Wall Street?
Em pleno Carnaval, quase sem repercutir, uma notícia nos relata a tomada de medidas tarifárias de importação por parte da União Européia contra distorções no mercado de biodiesel, causadas por práticas de dumping pelos Estados Unidos.
Segundo a informação, o bloco europeu (27 países) deve adotar tarifas alfandegárias que visam defender os produtores locais e restabelecer as políticas de preços do combustível no continente.
Isto porque produtores americanos estariam comprando biodiesel na América do Sul, adicionando apenas 5% de biodiesel produzido nos EUA, quantidade ínfima, mas o suficiente para tomarem os subsídios locais, e exportar por preços abaixo do seu custo para países da União Européia.
Os volumes tomaram tamanha dimensão a ponto de inviabilizar a produção do combustível na Europa e levar à falência diversas usinas na Espanha, Alemanha e, acreditem, até no Leste Europeu.
O que não deixa de surpreender nesta história toda é a ordem das coisas. Se tivéssemos tomado conhecimento da “marotagem” no sentido inverso, ou seja, países latino americanos burlando regras, muito provavelmente seria uma notícia a mais que estaríamos lendo. Sem dúvida com repúdio, mas sem grandes surpresas.
Porém, práticas americanas afetando a ordem européia, ainda por cima com base em matéria prima adquirida na América do Sul, não pode deixar de ser a grande surpresa do fato.
Sabemos que energia é assunto de ponta na estrutura geopolítica do mundo. Alavanca e proporciona desenvolvimento como também sustenta e perpetua ditadores de diversas ordens.
Mas, daí a imaginar que um país, onde a evasão fiscal é crime repugnado desde seus primórdios e punido exemplarmente, estar disposto a usar recursos do contribuinte (sem que ele saiba, é claro) para financiar uma operação que traz mínimos benefícios para poucos (estamos falando do mercado de energia) e prejuízos e desordem de preços de um combustível em um continente todo seria impensável. Porém, não é mais.
E para “colocar a cereja no bolo”, neste caso, o Brasil está a favor da União Européia.
Enfim, não acredito que o Sambódromo vá mudar para Wall Street. Continuará sendo exclusivamente brasileiro!
Já algumas práticas que pareciam ser exclusivamente nossas…
Sem Categoria Paulo em 20 Fev 2009
A crise na urna.
Passados alguns meses da quebra do banco Lehman Brothers, que marcou simbolicamente o início da grave crise financeira mundial, alguns segmentos do mercado doméstico, poucos ainda é verdade, surpreendentemente começam apresentar alguma atividade positiva. Em alguns casos, números melhores do que os registrados no desastroso dezembro, em outros, um nível determinado de atividade que aparenta maior movimentação no mercado.
Enfim, apesar de tudo ainda inconclusivo, os resultados de fevereiro poderão nos nortear sobre a real situação momentânea. Não será surpresa se alguns segmentos já identificarem um novo nível de estabilidade, primeiro passo para o processo de integralização dos ajustes necessários, e começar a pensar na recuperação.
Pelo lado positivo, se de fato isso vier a ocorrer, podemos supor que o Brasil poderá ser um dos primeiros países do mundo a mostrar sinais claros do início de um processo de recuperação.
Este fato, por si só, já seria o suficiente para comemoração. Entretanto pode representar muito mais. Receberíamos outorga mundial sobre a nossa real capacidade em lidar com tais situações e a solidez das instituições.
Em decorrência, logo no momento seguinte a todo esse processo, o Brasil, sem dúvida alguma, ganharia lugar de destaque nas listas de prioridades dos canais de investimentos. Seria o turbo em um motor renovado.
Porém, não podemos nem por um instante nos afastar da realidade. Afinal, tudo não passa ainda de possibilidades e suposições otimistas que precisam ser ratificadas. Precisamos efetivamente demonstrar as tais capacidades.
E, é exatamente aí que mora o perigo. Entre as n medidas de ajustes, necessárias para driblar a crise atual, muitas devem ser amargas e aplicadas em doses relevantes, impopulares, portanto e em especial àqueles que tocam nos gastos públicos.
A complicação neste momento é que adotar tais medidas colide em cheio com a antecipação da agenda eleitoral. Com mais de um ano de antecedência as notas que dominam os meios de comunicação são relacionadas ao processo sucessório da presidência da República.
A situação, que é responsável por aplicar o tal do remédio, já está com nome divulgado para a disputa e se coloca neste momento, acho até que desnecessariamente, diante de uma bifurcação de difícil escolha sobre qual caminho tomar.
As decisões as serem tomadas nestes casos, pelo lado executivo e pelo lado político, são motivadas por propósitos diametralmente diferentes. E a oposição, à cavalheira, aguarda ansiosa.
A independência executiva, pode ficar (se já não está) muito comprometida. E o que deveria ser hoje o núcleo da questão, a nossa estratégia de recuperação, passa a incorporar considerações políticas em suas decisões.
Vamos aguardar fevereiro e seus posteriores e ver, se vem remédio puro ou com batom.
Sem Categoria Paulo em 13 Fev 2009
Energias renováveis
Importante nota sobre como os EUA está considerando o programa de energias renováveis na recuperação de sua economia.
Para ler na integra clique aqui
Sem Categoria Paulo em 11 Fev 2009
Dúvidas e incertezas
Seguindo como se fosse por uma cartilha, temos acompanhado o que já era absolutamente esperado. Após sucessivas notícias sobre quebras no sistema financeiro, agora são os balanços trimestrais de grandes empresas globais, divulgados diariamente, que mostram os efeitos das crise no segmento industrial.
No rastro dos resultados são divulgados também os planos. Aqueles esperados pelos acionistas e investidores, as ações que visam reestruturar as operações na busca de equilíbrio ante o novo cenário. Fechamento de fábricas, cortes de pessoal, adiamento de projetos, redução nos investimentos. Enfim, tudo dentro do previsto.
“Rezando” pela cartilha da redução no nível de atividade econômica, que busca por um novo patamar de estabilização, não se pode eliminar a possibilidade de um segundo momento de dificuldades no segmento que iniciou todo o processo, o financeiro, completando assim o primeiro estágio, o tal movimento cíclico.
Tentando interromper este processo, caracterizado como uma espiral descendente, e evitar sua auto alimentação, planos e medidas têm sido adotados. Porém, surge um novo risco.
Entre as medidas aparece um “pequeno pecado”, digamos assim, que pode eliminar um dos principais pilares da aceleração do desenvolvimento mundial que experimentamos nos últimos tempos. O protecionismo.
A convergência de diversos fatores que passam por demandas da sociedade, interesses de segmentos, classes, etc, podem conduzir para a adoção de medidas que contribuam para o perigoso retrocesso das atividades comerciais pelo mundo afora.
No Brasil, já vivemos sob os efeitos do protecionismo por muitos anos e conhecemos os resultados em detalhes. Ao longo do tempo, por seu caráter que inicialmente é temporário e acaba se tornando permanente, acaba servindo à proteção da ineficiência e eliminando oportunidades.
Sim, oportunidades, já que o comércio (fluxo de capital) é como o vento. Só entra por onde pode também sair e se não houver caminho livre, não existe fluxo algum.
Porém, resta ainda uma boa chance. Alguns líderes já tomam a bandeira do “não” com o entendimento de que esta não seria a saída. Mas no final das contas não sabemos até onde as filas nos guichês (cada vez maiores) do seguro social de seus países pode falar mais alto.
Um ponto é certo, se no início de todo esse processo era unânime a necessidade de discutir uma nova ordem para o sistema financeiro internacional, agora temos no mínimo mais um assunto em pauta. A manutenção dos canais de comércio internacional.
Fica a grande dúvida. A espiral, aquela que falamos mais acima, é cônica e estaríamos próximos de seu final ou será cilíndrica, sem a menor previsão de onde ela vai nos levar?
Entre dúvidas e incertezas, restam todas.
Sem Categoria Paulo em 02 Fev 2009
Do sonho à incerteza. Pré-Sal & Biodiesel
Num passado recente, o Brasil anunciou ao mundo a descoberta de extensas reservas de petróleo. Na ocasião, a riqueza recém descoberta, ou nem tanto, nos levou a sonhar em ocupar uma posição destacada entre os demais países do mundo.
À época, baseando-se na contabilidade de futuros resultados, não faltaram planos de como gastar os recursos. Planos que cobriram de esperança todos os segmentos da sociedade, desde políticos até cidadãos comuns. Era o nosso pré-sal.
Dada a dimensão da descoberta, entre tantas notícias e possibilidades, chegou-se inclusive a discutir de quem seria o direito de posse. Algumas representações internacionais, mesmo que de modo muito brando, chegaram a sugerir que na profundidade que estavam localizadas as reservas, o direito poderia nem ser do Brasil.
Passados alguns meses de domínio absoluto do assunto pelos meios de comunicação, abatidos que fomos pela crise financeira internacional na medida em que as cotações do petróleo caiam vertiginosamente, o tema foi se esvaziando e hoje está como se num ambiente sem atmosfera ou latente, como queiram.
Por outro lado, na carona do bem sucedido etanol, o nosso biodiesel rapidamente magnetizou investidores que levantaram novas usinas, iniciando assim a formação de uma infra-estrutura para atendimento de demanda que propunha até a substituição total do óleo diesel de origem mineral.
Outras vantagens diretas como, por exemplo, o desempenho da nossa balança comercial e a socialização do projeto pelo envolvimento de famílias de regiões rurais na produção da matéria prima base, de quebra, ratificariam nosso legado de um “País Verde”.
Porém, acompanhando os resultados dos primeiros leilões, destinados a atender a adição de 3% ao diesel mineral, logo observamos as rudezas que desafiariam o projeto como um todo. O preço ganhador para entrega dos volumes era inferior aos dos custos de produção.
Hoje, nosso biodiesel utiliza como matéria prima base a soja, que o tem colocado em uma encruzilhada.
Quando o petróleo atinge cotações estratosféricas, por cenários de economia aquecida, a cotação da soja também sobe, e pela mesma razão. Já, em tempos de petróleo no “subsolo”, o diesel mineral fica ainda mais competitivo.
No momento, incluir 3% de biodiesel ao diesel mineral representaria tecnicamente ou subsidio ou aumento direto no pé da bomba.
Conclusão? O biodiesel vive incertezas relacionadas à competitividade. A soja, mesmo sendo abundante em nosso país, pode não ser a alternativa ideal.
Algumas pesquisas estão sendo feitas com pinhão, por exemplo, mas o fato é que ainda não temos um direcionamento conclusivo sobre o assunto.
Assim, passados apenas alguns meses de expectativas, e porque não dizer de sonhos nutridos pelas possibilidades criadas pelo “Pré Sal & Biodiesel”, o fato é que estamos lidando, em ambos os casos, com uma dura realidade.
Os projetos são promissores e um dia poderão ser bem sucedidos. Porém, não podemos deixar de admitir também que muito provavelmente nada deverá ocorrer na velocidade que todos gostaríamos e que já esperávamos.