Seguindo como se fosse por uma cartilha, temos acompanhado o que já era absolutamente esperado. Após sucessivas notícias sobre quebras no sistema financeiro, agora são os balanços trimestrais de grandes empresas globais, divulgados diariamente, que mostram os efeitos das crise no segmento industrial.

No rastro dos resultados são divulgados também os planos. Aqueles esperados pelos acionistas e investidores, as ações que visam reestruturar as operações na busca de equilíbrio ante o novo cenário. Fechamento de fábricas, cortes de pessoal, adiamento de projetos, redução nos investimentos. Enfim, tudo dentro do previsto.

“Rezando” pela cartilha da redução no nível de atividade econômica, que busca por um novo patamar de estabilização, não se pode eliminar a possibilidade de um segundo momento de dificuldades no segmento que iniciou todo o processo, o financeiro, completando assim o primeiro estágio, o tal movimento cíclico.

Tentando interromper este processo, caracterizado como uma espiral descendente, e evitar sua auto alimentação, planos e medidas têm sido adotados. Porém, surge um novo risco.

Entre as medidas aparece um “pequeno pecado”, digamos assim, que pode eliminar um dos principais pilares da aceleração do desenvolvimento mundial que experimentamos nos últimos tempos. O protecionismo.

A convergência de diversos fatores que passam por demandas da sociedade, interesses de segmentos, classes, etc, podem conduzir para a adoção de medidas que contribuam para o perigoso retrocesso das atividades comerciais pelo mundo afora.

No Brasil, já vivemos sob os efeitos do protecionismo por muitos anos e conhecemos os resultados em detalhes. Ao longo do tempo, por seu caráter que inicialmente é temporário e acaba se tornando permanente, acaba servindo à proteção da ineficiência e eliminando oportunidades.

Sim, oportunidades, já que o comércio (fluxo de capital) é como o vento. Só entra por onde pode também sair e se não houver caminho livre, não existe fluxo algum.

Porém, resta ainda uma boa chance. Alguns líderes já tomam a bandeira do “não” com o entendimento de que esta não seria a saída. Mas no final das contas não sabemos até onde as filas nos guichês (cada vez maiores) do seguro social de seus países pode falar mais alto.

Um ponto é certo, se no início de todo esse processo era unânime a necessidade de discutir uma nova ordem para o sistema financeiro internacional, agora temos no mínimo mais um assunto em pauta. A manutenção dos canais de comércio internacional.

Fica a grande dúvida. A espiral, aquela que falamos mais acima, é cônica e estaríamos próximos de seu final ou será cilíndrica, sem a menor previsão de onde ela vai nos levar?

Entre dúvidas e incertezas, restam todas.