Sem Categoria Paulo em 20 Fev 2009
A crise na urna.
Passados alguns meses da quebra do banco Lehman Brothers, que marcou simbolicamente o início da grave crise financeira mundial, alguns segmentos do mercado doméstico, poucos ainda é verdade, surpreendentemente começam apresentar alguma atividade positiva. Em alguns casos, números melhores do que os registrados no desastroso dezembro, em outros, um nível determinado de atividade que aparenta maior movimentação no mercado.
Enfim, apesar de tudo ainda inconclusivo, os resultados de fevereiro poderão nos nortear sobre a real situação momentânea. Não será surpresa se alguns segmentos já identificarem um novo nível de estabilidade, primeiro passo para o processo de integralização dos ajustes necessários, e começar a pensar na recuperação.
Pelo lado positivo, se de fato isso vier a ocorrer, podemos supor que o Brasil poderá ser um dos primeiros países do mundo a mostrar sinais claros do início de um processo de recuperação.
Este fato, por si só, já seria o suficiente para comemoração. Entretanto pode representar muito mais. Receberíamos outorga mundial sobre a nossa real capacidade em lidar com tais situações e a solidez das instituições.
Em decorrência, logo no momento seguinte a todo esse processo, o Brasil, sem dúvida alguma, ganharia lugar de destaque nas listas de prioridades dos canais de investimentos. Seria o turbo em um motor renovado.
Porém, não podemos nem por um instante nos afastar da realidade. Afinal, tudo não passa ainda de possibilidades e suposições otimistas que precisam ser ratificadas. Precisamos efetivamente demonstrar as tais capacidades.
E, é exatamente aí que mora o perigo. Entre as n medidas de ajustes, necessárias para driblar a crise atual, muitas devem ser amargas e aplicadas em doses relevantes, impopulares, portanto e em especial àqueles que tocam nos gastos públicos.
A complicação neste momento é que adotar tais medidas colide em cheio com a antecipação da agenda eleitoral. Com mais de um ano de antecedência as notas que dominam os meios de comunicação são relacionadas ao processo sucessório da presidência da República.
A situação, que é responsável por aplicar o tal do remédio, já está com nome divulgado para a disputa e se coloca neste momento, acho até que desnecessariamente, diante de uma bifurcação de difícil escolha sobre qual caminho tomar.
As decisões as serem tomadas nestes casos, pelo lado executivo e pelo lado político, são motivadas por propósitos diametralmente diferentes. E a oposição, à cavalheira, aguarda ansiosa.
A independência executiva, pode ficar (se já não está) muito comprometida. E o que deveria ser hoje o núcleo da questão, a nossa estratégia de recuperação, passa a incorporar considerações políticas em suas decisões.
Vamos aguardar fevereiro e seus posteriores e ver, se vem remédio puro ou com batom.
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