Em pleno Carnaval, quase sem repercutir, uma notícia nos relata a tomada de medidas tarifárias de importação por parte da União Européia contra distorções no mercado de biodiesel, causadas por práticas de dumping pelos Estados Unidos.

Segundo a informação, o bloco europeu (27 países) deve adotar tarifas alfandegárias que visam defender os produtores locais e restabelecer as políticas de preços do combustível no continente.

Isto porque produtores americanos estariam comprando biodiesel na América do Sul, adicionando apenas 5% de biodiesel produzido nos EUA, quantidade ínfima, mas o suficiente para tomarem os subsídios locais, e exportar por preços abaixo do seu custo para países da União Européia.

Os volumes tomaram tamanha dimensão a ponto de inviabilizar a produção do combustível na Europa e levar à falência diversas usinas na Espanha, Alemanha e, acreditem, até no Leste Europeu.

O que não deixa de surpreender nesta história toda é a ordem das coisas. Se tivéssemos tomado conhecimento da “marotagem” no sentido inverso, ou seja, países latino americanos burlando regras, muito provavelmente seria uma notícia a mais que estaríamos lendo. Sem dúvida com repúdio, mas sem grandes surpresas.

Porém, práticas americanas afetando a ordem européia, ainda por cima com base em matéria prima adquirida na América do Sul, não pode deixar de ser a grande surpresa do fato.

Sabemos que energia é assunto de ponta na estrutura geopolítica do mundo. Alavanca e proporciona desenvolvimento como também sustenta e perpetua ditadores de diversas ordens.

Mas, daí a imaginar que um país, onde a evasão fiscal é crime repugnado desde seus primórdios e punido exemplarmente, estar disposto a usar recursos do contribuinte (sem que ele saiba, é claro) para financiar uma operação que traz mínimos benefícios para poucos (estamos falando do mercado de energia) e prejuízos e desordem de preços de um combustível em um continente todo seria impensável. Porém, não é mais.

E para “colocar a cereja no bolo”, neste caso, o Brasil está a favor da União Européia.

Enfim, não acredito que o Sambódromo vá mudar para Wall Street. Continuará sendo exclusivamente brasileiro!

Já algumas práticas que pareciam ser exclusivamente nossas…