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Sem Categoria Paulo em 13 Abr 2009

Cada um com seu “PAC”

Se você tivesse que optar por uma das duas afirmações abaixo sobre as nossas reservas de petróleo descobertas no pré-sal, qual seria a sua escolha?

a) É a mais extraordinária reserva mundial de energia.

b) É a mais extraordinária reserva de emissões de gases poluentes.

Se a mesma escolha tivesse que ser feita pela senhora Joan Ruddock, certamente a opção seria “b”. Segundo ela, vice-ministra para Mudanças Climáticas da Inglaterra (sim, esta é a pasta), agora todos os investimentos daquele país estarão integralmente conectados ao novo plano de desenvolvimento da “economia limpa”.

O discurso não poderia ser diferente, já que o Parlamento do Reino Unido aprovou em novembro último um conjunto de leis que fecha toda a estratégia que visa eliminar 80% das emissões dos gases que causam o efeito estufa, até 2050.

Metas arrojadas, com investimentos à altura. Estão previstos investimentos de 100 bilhões de libras, destinados a substituir 15% de toda matriz energética por solar, eólica, ondas do mar e nuclear, até 2020. Entre os britânicos há ainda a expectativa de criação de 160 mil empregos ligados à área, em 12 anos.

E não para por aí. O plano prevê ainda uma profunda alteração no comportamento social, muito além dos investimentos que devem ser feitos em ciência, tecnologia, inovações, etc. O estilo de vida da população britânica vai mudar.

A sociedade será estimulada a instalar energia solar em suas casas, a construir “tetos verdes”, utilizar materiais de construção que absorvam menos calor, incluindo-se até o asfaltamento urbano, entre um cem número de medidas.

A água não passa sem destaque. Hoje, como um terço da água tratada em Londres é desperdiçada diariamente, o controle residencial deve aumentar.

Ou seja, trata-se de um plano ambicioso, não só em metas ou investimentos, mas principalmente pela certeza da capacidade em reeducar a sociedade no sentido de utilizar, com maior racionalidade, os recursos naturais de uma forma em geral.

Enfim, plano debaixo do braço, aguardando pelo resultado da consulta pública que deve sair este ano. Porém, que ninguém duvide sobre sua
aprovação pois a Inglaterra já sai a campo em busca de aliados.

Pretende assumir a liderança do processo na Europa e busca parceiros importantes entre os emergentes, Brasil incluso.

A ironia dessa história toda é que a Inglaterra, precursora da “Revolução Industrial” no século XVIII, que contribuiu de modo decisivo para o estabelecimento dos atuais padrões energéticos, volta agora, três séculos passados, tentando liderar um novo processo, como se fosse o anterior, porém rejuvenescido, atual e dirigido as demandas sociais, econômicas e ambientais. Tudo em dimensão global.

Aliás, para quem no início do texto optou por “b”, resta o consolo. Eles já fazem “PAC” há mais de trezentos anos…

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