Sem Categoria Paulo em 27 Abr 2009
Tomando Banho de Gasolina…
Neste final de semana, como muitos devem ter acompanhado, tivemos a etapa do Grande Prêmio de Formula 1, do Bahrein.
Uma curiosidade que me chamou a atenção. Por lá, no pequeno estado encravado entre Irã, Qatar e Arábia Saudita, o litro da gasolina pode ser adquirido por equivalentes R$ 1,20, já um litro de água custa R$ 6,00.
Um dos jornalistas que cobriu a etapa chegou a revelar durante a transmissão que só bebia água fornecida pela organização, dada a magnitude dos preços do precioso líquido naquele país!
E por aqui, a quantas andamos?
Tomando por base as discussões em São Paulo, onde alguns estudos acadêmicos indicam que o abastecimento para a população da região metropolitana estaria integralmente garantido somente até 2010, uma das sugestões para frear o consumo desorganizado e, porque não dizer, na maioria das vezes irracional, seria justamente o aumento da tarifa da água.
A defesa de tal mecanismo parte de Dilma Seli Pena, Secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo.
Em recente seminário, alusivo ao Dia Mundial da Água (22 de Março),onde o assunto foi debatido, ela defendeu seu argumento por entender que os preços atuais, muito baixos, não incentivam o uso racional, muito menos evitam desperdícios.
De fato, a Sra. Dilma Seli está correta em uma série de aspectos sobre o problema. O uso da água em São Paulo já se tornou famoso no país por seus elevados índices de consumo e desperdício.
Só para relembrar, o consumo paulistano, onde 10,8 milhões de habitantes são atendidos pelo sistema de abastecimento, é de 221 litros/habitante/dia. O dobro do sugerido pela ONU, 110 litros, como o ideal para suprir as necessidades humanas.
Observando por este aspecto, o plano de aumentar as tarifas poderia até contribuir, mas o problema torna-se complexo se observarmos a distribuição do consumo na região.
Se fecharmos a análise na cidade de São Paulo, o perfil identificado pelos dados revelam, por exemplo, que no bairro de Higienópolis, habitado preponderantemente pela classe media alta, o consumo gira em torno de 500 litros/dia/habitante. Já, na Zona Leste o consumo cai para aproximados 100 litros.
Deste modo, tenho dúvidas até onde a majoração das tarifas podem auxiliar, já que o perfil de consumo excessivo está associado diretamente ao alto poder aquisitivo.
Entendo que o aumento das tarifas, no caso de São Paulo, é ação praticamente irreversível pelo simples equilíbrio da oferta e procura. A atual densidade demográfica da região coloca a disponibilidade de tal recurso no seu limite. Assim é natural que ocorra.
Entretanto, a solução definitiva para este problema deve exigir muito mais.
Existe no Brasil uma percepção sobre a abundancia de nossos recursos naturais que passa a impressão de serem inesgotáveis. Precisamos reeducar nossa sociedade.
Admito a necessidade de ajustar tarifas. Já é assim em diversos países do mundo, porém, deveria estar associada a um amplo processo de informação da população, utilização da rede pública de ensino, chegando até políticas de incentivos para o estímulo à reutilização da água e captação pluvial.
Aliás, tais políticas não deveriam abranger somente a água, mas se propor a modificar todo o entendimento da sociedade sobre a racionalidade do uso de nossos recursos naturais.
Melhor seria assim, ou vamos acabar todos tomando banho com gasolina!
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em 27 de Abril de 2009 @ 14:36 1.Marcello Cyrino disse:
Realmente o tema água é talvez mais impactante que o tema energia renovável. Talvez sua urgência resida no fato de que o efeito estufa não acabaria com a humanidade de um dia para outro, pois seu efeito é similar a parábola do sapo em uma panela de água no fogão. O sapo vai morrendo aos poucos seduzido por uma sensação de conforto com o aquecimento lento da água e um sentimento de que o pior não ocorrerá. Por outro lado, a falta de água potável poderá comprometer a vida humana na Terra com uma rapidez inimaginável. Basta lembrar que o corpo humano sobrevive sem ingestão de água potável durante no máximo 5 dias, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
em 27 de Abril de 2009 @ 17:04 2.Marcos Camargo disse:
Eu acho que o preço da água fornecida por empresas como Sabesp, Cesb, Cagese, Sanepar é muito bairo, principalmente se observarmos a importância dos recursos hídricos e posicionamento que devemos ter rumo a um cosumo sustentável de água.
Os brasileiros são campeões de desperdício. Uma vez participei de um programa com outros estudantes na Itália, em 2002, e fomos limpar uma antiga garagem de trólebus, que seria usada para dar abrigo aos estudantes do nosso programa. Assim que ligamos os hidrantes, fomos seriamente repreendidos pelo coordenador do trabalho. Ele nos disse que não entendia porque iríamos usar água para “lavar” aquele pátio.
Não irá resolver, mas sem dúvida irá ajudar a conter o desperdício de alta majorar as taxas cobradas pelo seu fornecimento. E a mudança parte dos hábitos simples: banhos curtos, consumo consciente, não lavar o carro com mangueira ou água corrente (mas sim lavagem a seco), fechar a torneira durante a lavagem da louça, barbear etc., isso já ajuda muito a diminuir o consumo.
Temos um tesouro sob os pés, em nossos rios, e em toda a costa, com uma imensidão de água. Mas ainda não sabemos usar com inteligência…
em 27 de Abril de 2009 @ 17:05 3.Marcos Camargo disse:
Eu acho que o preço da água fornecida por empresas como Sabesp, Cesb, Cagese, Sanepar é muito barato, principalmente se observarmos a importância dos recursos hídricos e posicionamento que devemos ter rumo a um cosumo sustentável de água.
Os brasileiros são campeões de desperdício. Uma vez participei de um programa com outros estudantes na Itália, em 2002, e fomos limpar uma antiga garagem de trólebus, que seria usada para dar abrigo aos estudantes do nosso programa. Assim que ligamos os hidrantes, fomos seriamente repreendidos pelo coordenador do trabalho. Ele nos disse que não entendia porque iríamos usar água para “lavar” aquele pátio.
Não irá resolver, mas sem dúvida irá ajudar a conter o desperdício de alta majorar as taxas cobradas pelo seu fornecimento. E a mudança parte dos hábitos simples: banhos curtos, consumo consciente, não lavar o carro com mangueira ou água corrente (mas sim lavagem a seco), fechar a torneira durante a lavagem da louça, barbear etc., isso já ajuda muito a diminuir o consumo.
Temos um tesouro sob os pés, em nossos rios, e em toda a costa, com uma imensidão de água. Mas ainda não sabemos usar com inteligência…
em 28 de Abril de 2009 @ 15:34 4.Renato Frittoli disse:
Boa tarde Sr.Paulo,
mais uma vez obrigado por mais uma nova publicação que nos faz pensar na atual situação por qual passamos.
Achei muito relevante a parábola do sapo citada pelo Marcello Cyrino, pois ela reflete exatamente a sensação que temos diante da “abundância” de recursos naturais que o nosso país tem.
Só que as pessoas se esquecem que se não arrumarmos uma maneira evitarmos o desperdício e porque não de repor tudo que usamos, tudo isso um dia acabará. E por fim a nossa existência.
Cada pessoa pode fazer a sua parte, se conscientizando pelo o uso responsável de água.
Senão realmente acabaremos tomando banho com outros produtos, assim como a gasolina ou porque não com coca-cola??
Um abraço