No dia do anúncio daquilo que todos já esperavam, o pedido formal de concordata da maior fabricante mundial de veículos nas últimas décadas, a General Motors, até pouco tempo também chamada pelos americanos, pelo seu modelo de benefícios aplicado aos trabalhadores na ativa e também estendido aos já aposentados de “Generous Motors” , a partir de agora passa a ser reconhecida por “Government Motors”.

Ou seja, o governo americano passa a ser o majoritário da empresa em troca de empréstimos visando saneá-la e posteriormente devolvê-la a iniciativa privada.

Vamos reter brevemente a questão da GM e passamos a considerar que dias atrás a Time Warner comunicou ao mercado que até o final do ano a
AOL (American On Line), hoje uma de suas divisões mais fracas, vai transformá-la em uma empresa independente, para que busque sozinha a sua própria sorte.

Como todos devem se lembrar a união entre Time Warner e AOL foi anunciada ao planeta como o modelo exemplar da “nova economia”. Na época as empresas “pontocom” eram a febre e seus valores intangíveis levavam o mercado a beira da insanidade.

Não existiam ativos, não existiam receitas, quase nada, somente os valores intangíveis, e com eles as expectativas de ganhos muito alem do ritmo convencional.

Tudo que fosse diferente de “pontocom” era rotulado como velho, ultrapassado, antiquado, enfim, sem a capacidade de gerar valor, na velocidade necessária para satisfazer os investidores da ávida “nova economia”.

Alguns anos se passaram e o mundo encontrou novo ciclo de forte crescimento na economia. Desta vez muito mais democrático incluiu na cena novos “jogadores”, os emergentes e também aquelas empresas da “velha economia” agora resignadas assumindo o papel principal.

Mas o processo embutia uma motivação similar – acelerar o ritmo na geração de valor.

Mais uma vez, como no processo anterior, todas as referências que tínhamos de valor foram pulverizados. Commodities explodiram e em pouco tempo parecia até que levaríamos o planeta ao seu esgotamento.

Desta vez como a “banca” é global o estouro foi muito mais forte e as conseqüências ainda estamos contabilizando.

Enfim, dois anúncios, duas histórias diferentes, de conclusões muito próximas. As referências de valor primeiramente foram corrompidas, maximizadas e vendidas ao mercado.

Em ambos os casos muitos pagaram a conta, outros continuam e vão continuar pagando.

Praticamente não houve tempo de empurrar para debaixo do tapete os escombros do penúltimo estouro, aquele das “pontocom” e já temos muito
mais para empurrar.

Pelas últimas notícias, o tapete vai ficar pequeno…