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Sem Categoria Paulo em 02 Fev 2009

Do sonho à incerteza. Pré-Sal & Biodiesel

Num passado recente, o Brasil anunciou ao mundo a descoberta de extensas reservas de petróleo. Na ocasião, a riqueza recém descoberta, ou nem tanto, nos levou a sonhar em ocupar uma posição destacada entre os demais países do mundo.

À época, baseando-se na contabilidade de futuros resultados, não faltaram planos de como gastar os recursos. Planos que cobriram de esperança todos os segmentos da sociedade, desde políticos até cidadãos comuns. Era o nosso pré-sal.

Dada a dimensão da descoberta, entre tantas notícias e possibilidades, chegou-se inclusive a discutir de quem seria o direito de posse. Algumas representações internacionais, mesmo que de modo muito brando, chegaram a sugerir que na profundidade que estavam localizadas as reservas, o direito poderia nem ser do Brasil.

Passados alguns meses de domínio absoluto do assunto pelos meios de comunicação, abatidos que fomos pela crise financeira internacional na medida em que as cotações do petróleo caiam vertiginosamente, o tema foi se esvaziando e hoje está como se num ambiente sem atmosfera ou latente, como queiram.

Por outro lado, na carona do bem sucedido etanol, o nosso biodiesel rapidamente magnetizou investidores que levantaram novas usinas, iniciando assim a formação de uma infra-estrutura para atendimento de demanda que propunha até a substituição total do óleo diesel de origem mineral.

Outras vantagens diretas como, por exemplo, o desempenho da nossa balança comercial e a socialização do projeto pelo envolvimento de famílias de regiões rurais na produção da matéria prima base, de quebra, ratificariam nosso legado de um “País Verde”.

Porém, acompanhando os resultados dos primeiros leilões, destinados a atender a adição de 3% ao diesel mineral, logo observamos as rudezas que desafiariam o projeto como um todo. O preço ganhador para entrega dos volumes era inferior aos dos custos de produção.

Hoje, nosso biodiesel utiliza como matéria prima base a soja, que o tem colocado em uma encruzilhada.

Quando o petróleo atinge cotações estratosféricas, por cenários de economia aquecida, a cotação da soja também sobe, e pela mesma razão. Já, em tempos de petróleo no “subsolo”, o diesel mineral fica ainda mais competitivo.

No momento, incluir 3% de biodiesel ao diesel mineral representaria tecnicamente ou subsidio ou aumento direto no pé da bomba.

Conclusão? O biodiesel vive incertezas relacionadas à competitividade. A soja, mesmo sendo abundante em nosso país, pode não ser a alternativa ideal.

Algumas pesquisas estão sendo feitas com pinhão, por exemplo, mas o fato é que ainda não temos um direcionamento conclusivo sobre o assunto.

Assim, passados apenas alguns meses de expectativas, e porque não dizer de sonhos nutridos pelas possibilidades criadas pelo “Pré Sal & Biodiesel”, o fato é que estamos lidando, em ambos os casos, com uma dura realidade.

Os projetos são promissores e um dia poderão ser bem sucedidos. Porém, não podemos deixar de admitir também que muito provavelmente nada deverá ocorrer na velocidade que todos gostaríamos e que já esperávamos.

Sem Categoria Paulo em 31 Jan 2009

Aquecimento Global

Esta semana, publicado pelo “O Estado de São Paulo”, matéria importante sobre a rápida desvalorização das cotações dos créditos de carbono. Conseqüência da atual crise financeira coloca em risco uma entre as mais bem sucedidas iniciativas de combate ao aquecimento global.

Para ler a matéria na integra, clique aqui

Sem Categoria Paulo em 27 Jan 2009

Enfim, Obama!

Como pudemos acompanhar, a semana passada foi pautada quase que exclusivamente pela posse daquele em cujos ombros depositam-se as esperanças da sociedade americana, ansiosa (talvez como nunca) por profundas mudanças.

As cenas da cerimônia nos mostraram algo à altura dos desafios. Pareciam cenários de filmes épicos com todos os simbolismos de grandiosidade.

De fato, Barack Obama, antes mesmo de assinar seu primeiro despacho, já poderia ser considerado como um fenômeno global. E, é a partir desse ponto que podem se desdobrar futuras e inconvenientes dificuldades.

Durante a campanha, com um plano de governo sabiamente apresentado, de forma didática, como um plano de negócios, e uma palavra de ordem que sugeria “Sim nós podemos!”, Obama acabou varrendo o mundo, que passou a nutrir esperanças e expectativas. De governos a cidadãos, de leste a oeste, de norte a sul.

Muito difícil falar com alguém, não importa de onde fosse, que estivesse alheio ao processo eleitoral americano e sem uma opinião formada sobre o candidato. Fora dos Estados Unidos, a maioria toda a seu favor.

Nada mal acreditar que o maior país do mundo pode de fato mudar de atitude em alguns aspectos e estreitar a distância dos interesses. Porém, a coisa pode não ser bem assim. Não podemos deixar de considerar que o novo presidente foi eleito por americanos para governar para americanos.

Sabemos que realmente existem muitos pontos comuns, que constrangem o povo americano e que vários são os seus anseios, a exemplo do que ocorre no resto do mundo também, mas as vezes por razões totalmente diferentes.

Vejamos, não podemos desprezar o fato de que Georg Bush, que encerrou seu mandato de forma melancólica (para ser brando), em determinado momento, em meio a conflitos no Oriente Médio e Tratados de Kyoto não assinados, foi reeleito.

Para uma fração do mundo as questões dos conflitos no Oriente Médio criam constrangimentos por questões por vezes humanitárias, outras pela onipotência e onipresença. Já, para a sociedade americana as razões são mais diretas. Trata-se de uma ação que custou caro e não trouxe os resultados esperados, como a influência política na região, por exemplo.

As questões ambientais e energéticas, a exemplo da maioria dos temas que mudaram o comportamento da sociedade no mundo, são tratadas por europeus como algo que afeta a humanidade e assim precisa de um plano.
Já a visão americana sobre os mesmos temas pode se resumir a uma outra interpretação, ou seja, “o cinto aperta” quando o petróleo sobe, tornando-se um caso de segurança de Estado. Então, neste momento, viva os “bio fuels”.

As colocações acima não têm fundo de julgamento, são apenas para caracterizar e ilustrar como as mesmas expectativas sobre um determinado tema, podem ser geradas por propósitos totalmente diferentes. Dessa forma, ao longo do tempo, com o desenrolar das questões, alguma parte muito provavelmente deve sair frustrada com os resultados.

Sinceramente, eu acredito nas palavras de Barack Obama: “Sim, nós podemos!”.

O que eu não sei se acredito é “se todos podemos ao mesmo tempo…”.

Sem Categoria Paulo em 20 Jan 2009

Por favor, este carro é 110 ou 220 volts?

Parece que foi definitivamente dada a largada para uma nova corrida de automóveis. Mas, ao contrário de outras corridas a que estamos acostumados a assistir aos domingos pela manhã, desta vez o vencedor não será o mais veloz, mas sim, aquele que conseguir lançar antes dos seus concorrentes, o primeiro carro elétrico em escala industrial.

O Salão de Detroit, iniciado no último sábado, marca bem esta disputa instigante. A maioria das grandes marcas de automóveis começa a apresentar “armas” e aparentemente entre os anos de 2011 e 2012 alguns desses modelos elétricos já devem estar entre nós.

Um banho de água fria foi a crise financeira que fez o preço do barril de petróleo relaxar. O dinheiro do consumidor ficou repentinamente muito mais curto e junto com ele a ansiedade por ter um desses “veículos verdes”. Neste momento preço por preço, vai no mais barato mesmo…

Mas existe outra situação independente da maior ou menor ansiedade do consumidor. A questão é que algumas empresas do segmento estão apostando nesta nova oportunidade para se renovar, rejuvenescer, e assim reconstruir suas competências essenciais.

Entregar à sociedade algo novinho em folha, baseado em novos conceitos técnicos e atender novos padrões.

Enfim, algo diferente para entrar na moda, já que o velho e bom carro, aqui no Brasil quase considerado como membro da família, vinha sendo questionado com alguma contundência. Deste modo, nada melhor que poder usá-lo com a consciência tranqüila e simplesmente desfrutar de suas vantagens.

Deixando de ser coloquial, o processo pode estar tomando contornos definitivos e quem sabe, irreversíveis. Vejamos, até pouco tempo os veículos elétricos eram apresentados como conceitos, de desenho futurista e uma série de outras quebras de paradigmas tecnológicos. Não é o que acontece agora no Salão de Detroit. Os modelos apresentados assim como os projetos divulgados dão conta de modelos muito mais próximos do que já utilizamos hoje. Entre eles os minis, sedans médios e até picapes.

Sabemos também que neste segmento os números divulgados são sempre superlativos. Assim temos uma única empresa de automóveis anunciando investimentos na ordem de US$ 1 bilhão somente para o desenvolvimento de suas próprias baterias. Outras divulgam cifras equivalentes para a implementação da infra-estrutura urbana de abastecimento em um estado americano.

A corrida é Global. Os modelos europeus, apresentados nesta mostra de Detroit, parecem estar roubando a cena, mas existem muitos outros, americanos, japoneses, chineses, e por aí vai.

Não sabemos ainda quem vai ganhar (?) esta corrida, mas caso venha existir um vencedor, será um protagonista histórico à altura de Henry Ford. Se um revolucionou os métodos de fabricação, dando acesso ao consumo em escala do automóvel, este próximo, não só estará dando uma nova oportunidade ao automóvel como abrindo frente para uma revisão profunda nos modelos da atual matriz energética.

Quem sabe? Esperamos ansiosos na linha de chegada.

Aliás, respondendo ao título, nem 110 muito menos 220v: Bivolt!

Sem Categoria Paulo em 12 Jan 2009

Por que não assumir a liderança?

Certamente a gestão das conseqüências causadas pela atual crise deve estar no topo das prioridades de dez entre dez governos. Começou no meio financeiro americano, foi tomando vulto, invadiu a indústria, comércio, serviços, e imagino que hoje ocupe grande parte das mentes do planeta.

Entretanto não há como ignorar que os problemas relacionados ao aquecimento global e da oferta de energia, que precediam ao atual momento, continuam todos lá, à espera das aguardadas providências.

Temos ainda que considerar também que, por mais grave que seja a crise, em determinado momento ela deve relaxar e a economia voltar à atividade. Não sabemos exatamente quando isso vai ocorrer e como será a nova dinâmica, mas muito provavelmente estaremos vivendo um novo ciclo virtuoso, porém, em um planeta mais quente.

Se existe qualquer fato positivo a ser enxergado, o único que posso observar são as lições que a atual crise nos deixa. O próprio sistema financeiro mundial discute como serão suas novas regulamentações para que tudo não volte a ocorrer.

Mas existe outra, talvez menos perceptível, se por um lado a matriz energética mundial tem mostrado que seu uso aquece o nosso planeta. Por outro, mostrou que quando a demanda surgir com maior vigor, sua oferta pode ser escassa e seus preços absolutamente incontroláveis.

Todos nós sabemos, ou pelo menos já ouvimos falar, que um dos principais empecilhos no processo de inserção social em massa é justamente a sustentabilidade do planeta.

Uma constatação sobre isso foram as cotações do barril de petróleo antes da crise. Além de não sabermos exatamente ainda quanto custa para eliminar as causas de seu uso…

Deste modo, assim como tantos outros, eu também acredito que em meio às dificuldades sempre existem grandes oportunidades. E neste momento onde as prioridades foram exclusivamente tomadas pelos movimentos dos mercados, acredito que exista uma grande oportunidade para o Brasil.

Vejamos, o Brasil está vivendo um momento singular, beneficiou-se do estrondoso ciclo de crescimento econômico mundial dos últimos anos e ha mais de uma década, desde o combate à hiperinflação, vinha tomando ações responsáveis que acabaram nos colocando na pauta dos investimentos internacionais. Creio que pela primeira vez em meio a uma grande crise a expectativa internacional sobre o Brasil é positiva.
Poderíamos aproveitar este momento para assumir uma posição entre as lideranças internacionais, chamando para discussão sobre energias renováveis, sustentabilidade, redução nas emissões, etc.

O momento pré-crise demonstrou que o mundo precisa de alternativas energéticas. O modelo atual além de gerar problemas ambientais, ser insustentável, é responsável também por conflitos, sustentação de regimes ditadores, entre tantos outros aspectos e impactos.

O Brasil pela sua disponibilidade de recursos e pela sociedade científica presente, mas principalmente pela atualidade da nossa sociedade aos temas relacionados ao meio ambiente, teria totais condições de assumir uma posição de liderança no desenvolvimento de um novo sistema energético. Que pudesse atender as futuras gerações e servisse de modelo para outras nações.

Seriamos precursores de um novo momento, em atendimento a uma sociedade que busca e valoriza novos padrões de comportamento. Acredito que a geração de energia por meios sustentáveis e seu uso racional passa diretamente pelo caminho do desenvolvimento desta nova sociedade.

Imaginemos um cenário onde coabitaram fontes energéticas como, eólica, solar, biomassa, movimento de mares, etc. Todas geradas por pequenas e médias centrais, preferencialmente próximas ao seu consumo e explorando do modo mais eficiente possível os recursos locais, onde cada uma estivesse localizada, e todas interligadas entre si, possibilitando a inter distribuição.

Para ilustrar melhor, uso um exemplo já mencionado anteriormente por outros, teríamos um sistema similar ao da Internet. Onde existem: Quem cria conteúdo, quem distribui o serviço e o usuário escolhendo e contratando o serviço que melhor lhe atenda.
Os “geradores de conteúdo” proveriam a energia por diversos meios, os “provedores” de serviços receberiam o conteúdo (energia gerada) e disponibilizariam para nós, usuários, que faríamos nossas escolhas.

A integração de todas as matrizes entre si poderia resultar em um custo misto e acessível. A competição entre os “provedores de energia” acabaria criando muitos outros serviços e produtos para cativar a escolha do usuário. Assim como na Internet, a integração deste sistema poderia ser não só nacional como compartilhado também com outros países.

Indo um pouco mais adiante. Uma estação de energia solar instalada em uma indústria pode, por exemplo, gerar excessos durante o domingo – simplesmente por não operar. Quantidade que seria compartilhada com a “micro rede” para uso domiciliar. Por outro lado, esta mesma indústria poderia necessitar de energia à noite (…). Poderia receber pela mesma “micro rede” de uma estação eólica mais próxima, por exemplo. E assim por diante.

Claro que a leitura até aqui deve despertar a questão. Onde estariam os recursos para tais investimentos?

Bem, antes ainda de falarmos em investimentos, o Brasil precisa primeiro mostrar para si e ao mundo que pensa. Pensa no hoje e nas futuras gerações. Que pensa nos brasileiros e pensa também na humanidade. Que é inovador, criativo, formador de tendências e opiniões. Desenvolve soluções para séculos e não para ciclos.

Deste modo, precisamos antes ainda de qualquer capital, de um projeto e dispositivos regulatórios que permitam tal desenvolvimento.

Quanto aos recursos, estes devem partir majoritariamente da iniciativa privada. Mas se até pouco tempo dispúnhamos de recursos para financiar hipotecas que nunca seriam pagas, e hoje outro tanto aparece para remediar o estrago, não creio que faltem recursos para um projeto que seja sustentável tecnicamente, financeiramente e que proporcione estabilidade social em suas demandas para o presente e futuro.

Sem Categoria Paulo em 05 Jan 2009

Até onde era verdade?

Temos recebido diversas notícias sobre o fechamento de centenas de milhares de postos de trabalho na China. Em alguns casos, fábricas inteiras. Vejam, não estamos falando de interrupções como férias coletivas ou algo similar. Estamos verificando o encerramento direto das atividades.

Estes fatos poderiam ser interpretados como mais uma conseqüência entre tantas outras decorrentes da crise financeira observada ao redor do mundo. Mas no caso particular da China podem estar revelando na prática o que podíamos até imaginar, porém não sabíamos exatamente a dimensão da realidade. Estou referindo-me quanto à ”artificialidade” destas operações.

As empresas que neste momento fecham suas portas foram impactadas basicamente por não terem recebido os tradicionais e volumosos pedidos de final de ano dos mercados, americano e europeu. Entretanto não devemos esquecer que estas mesmas empresas viveram um ciclo de crescimento inigualável a qualquer outro na história da humanidade.

Por esta simples razão, não deixa de ser surpreendente que ao primeiro momento de crise, apesar de acentuada, tais empresas simplesmente fechem as portas. Ou não seria tão surpreendente assim?

Como operavam estas empresas? Eram basicamente empresas de montagem que atendiam a grandes “tradings”, responsáveis pelas vendas para tais mercados. A elas cabia simplesmente produzir em grande escala, pelo menor custo possível e desovar a produção por tais canais.

Não se tratavam de empresas convencionais, como estamos acostumados e conhecemos. Com planejamento, pesquisa, projetos, engenharia, desenvolvimento, marketing, etc. Nada disso. Simplesmente facilidades, em muitos casos das mais precárias, para montagem de produtos simples, inspirados em outros, para não falarmos em cópias.

Além da frágil estrutura acrescentavam-se os famosos subsídios, caracterizados em “tax rebate”. O que por muitas vezes, talvez invariavelmente, tomavam o lugar da ineficiência.

Porém, neste momento onde e retração da demanda também é inigualável a qualquer outro momento historio não existe “tax rebate” que resolva.

Assim, aquilo que parecia milagroso mostra a sua face mais descoberta. Sem planos, sem estratégia, sem os mercados convencionalmente explorados à disposição, sem uma demanda interna à altura, não existe como continuar.

Vivemos um período de crescimento que parecia ser artificial. Com a quebra absoluta do sistema financeiro mundial e a seca da fonte, concluímos que a percepção estava certa. Assim como artificial era também aquilo que parecia um milagre. Mas como sabemos, milagres não existem! O resultado está ai.

Poder Federal Paulo em 04 Fev 2008

Entre mal entendidos

Alguns dias atrás, acompanhamos a discussão de membros de nosso governo central sobre a real dimensão sobre o desmatamento em nosso país.

Por um lado à ministra Marina Silva (Meio Ambiente) anunciava números que revelaram um importante avanço nos índices. Por outro o Governador de Mato Grosso (Blairo Maggi) manifestou-se dizendo serem números exagerados, sugerindo imprecisão, isentando ainda plantadores de eventual responsabilidade em decorrência de queimadas. Surgiu ainda o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), com novos números acompanhados da hipótese de equivoco.

No meio da cena, dada a importância dos fatos revelados, a presidência, praticamente obrigada a se manifestar, veio à opinião pública colocando panos quentes em toda a situação. Nem pró a Ministra, nem ao Inpe e tão pouco às correntes prós ao setor agrícola, que já estava com a conta na mão.

Na realidade tais fatos só trazem ênfase às palavras do próprio Presidente que chegou a reconhecer pela imprensa que “um ministério não sabe o que o outro faz…”. Esta foi somente mais uma passagem que revela claramente a ausência de estratégias e planejamento para execução das mesmas. Sem planos ou monitoramento dos mesmos.

Situações como essa se repetiram inúmeras vezes ao longo dos últimos anos. Por outro lado, inúmeras ações do governo procuram dar inércia a um crescimento mais sólido ao longo dos próximos anos.

Refletimos então. Usando as palavras do Presidente, se os Ministérios não sabem exatamente sobre as ações uns dos outros, e temos em curso diversas ações isoladas, quais são nossos objetivos? Ao final do processo, onde estaremos exatamente?

Recordo-me de recentes palavras, proferidas por um Ex-Presidente, no auge de uma crise política, que disse sobre a atual administração: “ O Rei está nu…”.

Eu diria neste caso, sem estratégia “os súditos estão nus…”.

Paulo Rogério Fernandez

Sem Categoria Paulo em 13 Dez 2007

Qual será a “Política Industrial” Brasileira?

A política industrial cujo anúncio estava programado para a metade de Janeiro próximo, pode ser revisada ou mesmo suspensa segundo declarações dos Ministros Guido Mantega e Miguel Jorge. A razão seria a perda de arrecadação com a CPMF.

Na realidade a política Industrial a ser divulgada, até onde se sabe, seria um conjunto de medidas sobre desoneração de tributos para investimentos e alguns mecanismos para compensar setores impactados pela valorização do Real ante ao Dólar.

Não que estas determinações não sejam importantes se analisando isoladamente cada caso, entretanto, pelo que se sente do setor industrial o que se espera de uma “Política Industrial” seria algo mais abrangente, um plano claro sobre:

• Quais os setores industriais o país têm interesse em desenvolver,

• Como se daria o apoio às comunidades científicas para o desenvolvimento das tecnologias necessárias para tais setores,

• Qual o direcionamento a ser dado ao sistema de ensino para formação da mão-de-obra,

• Como se dariam os incentivos aos investimentos para formação dos parques industriais e a infra-estrutura necessária

Enfim, entre tantos outros pontos – qual seria a nossa “Política Industrial”?

Vamos aguardar até Janeiro pelo anúncio, se ocorrer, mas a tônica das discussões já antecipa. As diretrizes podem ficar para depois.

Paulo Rogério Fernandez

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